terça-feira, 29 de julho de 2008

Bibliografia de Sociologia e Filosofia FAG

Bibliografia Básica:
ANTUNES, Ricardo. Uma breve radiografia das lutas sindicais no Brasil recente e algumas de seus principais desafios. In: INÁCIO, José Reginaldo (org.). Sidicalismo no Brasil – os primeiros 100 anos? Belo Horizonte: Crisálida, 2007.
BERTERO, Osmar. Culturaorganizacional e instrumentalização do poder. In: FLEURY, Maria Tereza Leme; FISCHER, Rosa Maria (coord.). Cultura e poder nas organizações. 2a. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
BHABHA, Homi K. O local da cultura. Trad. Myriam Ávila Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renata Gonçalves. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.
BOURDIEU, Pierre. Campo do poder, campo intelectual e habitus de classe. In: Economia das trocas simbólicas 2ª.ed. São Paulo: Perspectiva, 1987.
BOURDIEU, Pierre. Espaço social e gênese das “classes”. In: O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
BOURDIEU, Pierre. Gosto de classe e estilos de vida. In: ORTIZ, Renato (org.). A sociologia de Pierre Bourdieu. São Paulo: Olho D´Água, 2003.
CANCLINI, Nestor García. Diferentes, desiguais e desconectados: mapas da interculturalidade. Trad. Luiz Sérgio Henrique. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2005.
CHALITA, Gabriel. Vivendo a filosofia. 3a. ed. São Paulo: Ática, 2007.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 13a. ed. São Paulo: Ática, 2008.
DOUGLAS, Mary. Como as instituições pensam. São Paulo: Edusp,
DURKHEIM, Emile. As regras do método sociológico. Trad. Paulo Neves. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
FIGUEIREDO, Argelina Cheibub. “Instituições e política no controle do executivo”. In: Dados – Ver. de Ciências Sociais, Rio de Janeiro, vol. 44, nº 4, 2001, pp. 689 a 727.
FISCHER, Rosa Maria. O círculo do poder – as práticas invisíveis de sujeição nas organizações complexas. In: FLEURY, Maria Tereza Leme; FISCHER, Rosa Maria (coord.). Cultura e poder nas organizações. 2a. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão trad. Raquel Ramalho 32ª. Ed. Petrópolis: Vozes, 1997. (p. 117-142)
INÁCIO, José Reginaldo. Líder sindical: ação, transição pelo pode e ética. In: INÁCIO, José Reginaldo (org.). Sidicalismo no Brasil – os primeiros 100 anos? Belo Horizonte: Crisálida, 2007.
MARX, Karl. Para a crítica da economia política; O capital, A mercadoria. São Paulo: Nova Cultura, 1996. (Os Pensadores)
NOGUEIRA,Marcos Aurélio. Potência, limites e sedução do poder. São Paulo: Ed. UNESP, 2008.
WEBER, Max. Burocracia. In: Ensaios de sociologia. Gerth, Hans H.; Mills, Wright C. (org. e intr.). trad. Waltensir Dutra. 5ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1982.
WEBER, Max. Conceitos sociológicos fundamentais. In: Metodologia das ciências sociais, parte 2. trad. Augustin Wernet. 3ª ed. São Paulo: Cortez; Campinas: Ed. UNICAMP, 2001.


Bibliografia Complementar:
ALVAREZ, M. Com “Controle Social: notas em torno de uma noção polêmica” in: São Paulo em Perspectiva, 18 (1): 168-176, 2004.
ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. Trad. Sérgio Bath. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
BALIBAR, Étienne. A filosofia de Marx. Trad. Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
CASTRO, Ana Maria de; DIAS, Edmundo Fernandes (sel. e org.). Introdução ao pensamento sociológico. 17ª ed. São Paulo: Centauro, 2004.
CASTRO, Celso Antonio Pinheiro de. Sociologia aplicada à administração. 2a. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
CHALITA, Gabriel. Vivendo a filosofia. 3a. ed. São Paulo: Ática, 2007.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 13a. ed. São Paulo: Ática, 2008.
COSTA, Maria Cristina Castilho. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 3ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 2005.
DIAS, Reinaldo. Sociologia das organizações. São Paulo: Atlas, 2008.
GERAS, Norman. Essência e aparência: a análise da mercadoria em Marx. In: COHN, Gabriel. Sociologia: para ler os clássicos. Rio de Janeiro: Azougue, 2005.
INÁCIO, José Reginaldo (org.). Sidicalismo no Brasil – os primeiros 100 anos? Belo Horizonte: Crisálida, 2007.
LAKAOS, Eva Maria. Sociologia da administração. São Paulo: Atlas, 2007.
OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Sociologia das organizações: uma análise do homem e das empresas no ambiente competitivo. São Paulo: Thomson Learning, 2006.
PIZZORNO, Alessandro. Uma leitura atual de Durkheim. In: COHN, Gabriel. Sociologia: para ler os clássicos. Rio de Janeiro: Azougue, 2005.
QUITANEIRO, Tânia; BARBOSA, Maria Ligia de Oliveira; OLIVEIRA, Márcia Gardênia Monteiro de. Um toque de clássicos: Marx, Durkheim e Weber. 2ª ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.
SCHLUCHTER, Wolfgang; HENRICH, Dieter; OFFE, Claus. Weber e o projeto de modernidade. In: COHN, Gabriel. Sociologia: para ler os clássicos. Rio de Janeiro: Azougue, 2005.
SILVEIRA, Rafael Alcadipari da. Michel Foucault: poder e análise das organizações. Rio de Janeiro: Rd. FGV, 2005.

Bibliografia de sociologia da educação I FAG

Bibliografia Básica:
BOURDIEU, P. Economia das trocas simbólicas 2ª.ed. São Paulo: Perspectiva, 1987. (p. 203-229 e p. 295-336)
DURKHEIM, E. Educação e sociologia trad. Nuno Garcia Lopes Lisboa: Edições 70, 2007.
FOUCAULT, M. A ordem do discurso trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio 8ª. Ed. São Paulo: Loyola, 2002.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão trad. Raquel Ramalho 32ª. Ed. Petrópolis: Vozes, 1997. (p. 117-142)
LARAIA, R. de B. Cultura: um conceito antropológico. 9ª. Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993. (p. 67-112)

Bibliografia Complementar:
---- Bourdieu & educação Belo Horizonte: Autêntica,
--- Foucault & educação Belo Horizonte: Autêntica,
ALVAREZ, M. Com “Controle Social: notas em torno de uma noção polêmica” in: São Paulo em Perspectiva, 18 (1): 168-176, 2004.
DURKHEIM, E. “O ensino da moral na escola primária” in: Novo Estudos CEBRAP, 78, jul. 2007, p. 59-79
DURKHEIM, E.; MAUSS, M. Algumas formas primitivas de classificação: contribuição para o estudo das representações coletivas (1903) in: MAUSS, M. Ensaios de sociologia trad. Luiz João Gaia e J. Gumsburg São Paulo: Perspectiva, 1981. (p. 399-455)
GIANNOTTI, J. A. “A sociologia como técnica da razão: um ensaio sobre Durkheim” Seleção CEBRAP – Exercícios de Filosofia, nº. 2, p. 43-84.
JACOMINI, M. A. “A escola e os educadores em tempo de ciclos e progressão continuada: uma análise das experiências do Estado de São Paulo” in: Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, nº 3, p. 401-418, set/dez 2004.
NAKATO, M.; ALMEIDA, E. de “Reflexões acerca da busca de uma nova qualidade da educação: relações entre juventude, educação e trabalho” in: Educ. Soc., Campinas, vol. 28, nº 100 – Especial, p. 1085-1104, out. 2007.
NOGUEIRA, Com M. M.; NOGUEIRA, M. A. “A sociologia da educação de Pierre Bourdieu: limites e contrbuições” in: Educação & Sociedade, ano XXIII, nº. 78, abril/2002, p. 15-36.
NOVAIS, E. R.C.; BORUCHOVITCH, E. “A motivação de alunos no contexto da progressão continuada” in: Psicologia: Teoria e Pesquisa, jan-abr 2004, vol. 20, nº 1, p. 77-85.
PILETTI, N. Sociologia da educação: edição reformulada e atualizada 18ª. Ed. São Paulo: Ática, 1999.
SEGNINI, L. R. P. “Educação e trabalho: uma relação tão necessária quanto insuficiente” in: São Paulo em Perspectiva, 14 (2), 2000, p. 72-81.
SEVERINO, A. J. “Educação, trabalho e cidadania: a educação brasileira e o desafio da formação humana no atual cenário histórico” in: São Paulo em Perspectiva, 14 (2), 2000, p. 65-71.
SOUZA, J. A visibilidade da raça e a invisibilidade da classe: contra as evidências do conhecimento imediato. In: SOUZA, J. (org.) A invisibilidadeda desigualdade brasileira. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2006.
VALLE, I. R. “A obra do sociólogo Pierre Bourdieu: uma irradiação incontestável” in: Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 33, nº 1, p. 117-134, jan/abr 2007.
VEIGA, L.; BARBOSA, M. L. de O. “Os impactos e os limites das políticas educacionais” in: Teoria & Sociedade, UFMG, nº. 2, dez. 1997, p. 39-74.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Artigo tirado do sitio da Apase

APASE - Associação de Pais e Mães Separados
www.apase.org.br


Revista Crescer, edição de março de 2003

PAI PRA TODA OBRA

Como tantos outros homens, o empresário João Tiago Carrera separou-se da mulher. Só que lutou para ficar mais do que os fins de semana com os filhos. E hoje, cuida dos quatro com a maior habilidade. É um pai sozinho, mas feliz.


“Esses são meus filhos (João aponta para uma foto que serve de papel de parede do computador, em sua loja). Lindos, não? O caçula, Leonardo, é uma simpatia. A Juliana, essa beleza de menina, é muito persistente. Consegue tudo o que quer. Já o Fernando é mais na dele, certinho e honesto. O grandão é o Fábio, filho do primeiro casamento da Luciana, minha ex-mulher. Quando nos casamos, ele tinha 3 anos. Eu o considero meu filho tanto quando os outros. Sou um pai sozinho” Sozinho porque me separei da mãe deles. E também porque fico sozinho com eles duas semanas por mês. O destino quis que as coisas ocorressem dessa maneira. Fui dando um jeitinho aqui, outro ali e, hoje, a nossa rotina está perfeita. Sou um homem completo. Não sei o que seria de mim sem as crianças.
Sempre quis ser pai. No primeiro casamento, não tive filhos. O segundo já veio com um no “pacote” e, logo, nasceram os outros. Aos poucos, as visitas do pai biológico do Fábio, que se casou novamente e teve outro filho, diminuíram. E a nossa aproximação foi aumentando. Depois de 11 anos de casamento, resolvemos nos separar. O divórcio foi amigável, mas fui eu que sai de casa, por isso, tive medo. Não queria que meus filhos pensassem que iria abandoná-los. Acho que o maior receio era de que surgisse outro “pai” no meu lugar, assim como ocorreu com o Fábio. Como eu e a Luciana éramos sócios, a empresa também foi desmembrada.
De repente, aos 44 anos, me senti velho, sozinho, com dificuldades profissionais e sem meus filhos. Acordava no meio da noite e estranhava o silêncio. Casa com criança é sempre barulhenta, até de noite Tem aquele que ronca, o que levanta para ir ao banheiro e o que pede para dormir na cama da gente. Entrei em depressão. Voltei a morar no nosso primeiro apartamento e meus filhos passavam os fins de semana comigo. Logo no primeiro ano de separação, para minha sorte, a casa da mãe teve de ser reformada. Então, as crianças vieram ficar comigo por dois meses. Eles me trouxeram de volta à vida. Arrumei uma empregada para me ajudar e fui me ajeitando nessa vida de pai sozinho. O Leonardo tinha só três anos. Ele me esperava todas as noites para jantar, fazia questão que o pai lhe desse de comer na boca.
Após a reforma, eles voltaram para a casa da mãe. Mas eu tinha um bom argumento para convencê-la a deixar meus filhos passarem mais tempo comigo: soube cuidar deles sozinho. Desde então, há quatro anos, eles se alternam em duas casas. Passam uma semana comigo e outra com a mãe. Aos poucos adaptei meu apartamento. Eles têm uniforme, roupas, jogos e brinquedos nas duas casas. A única coisa que levam e trazem é a mochila. Não é tão difícil porque moramos no mesmo bairro. Na semana que estão comigo, sou pai em tempo integral. Jantamos juntos, olho a agenda escolar dos menores, cobro a lição e vemos TV. A casa vive cheia de crianças, Tem videogame e roda de violão. Já cheguei a pedir dez pizzas para a garotada. Não me importo com a bagunça. Minha mãe não deixava eu receber amigos em casa. Não quero que seja assim com eles.
A maior emoção da minha vida foi ver a Juilana pela primeira vez. Foi no hospital, quando eles a trouxeram naquele carrinho de vidro. Pensei que fosse morrer. Tenho muitas lembranças dos quatro. Não há uma passagem na vida deles que eu não tenha participado. A primeira menstruação da Juliana, por exemplo, ocorreu quando ela estava comigo, em nossa casa de campo. Corri para a vizinha e pedi um absorvente emprestado. Quando o Fábio levou um fora de uma namorada, veio desabafar comigo. Não era a “minha” semana. Fiquei comovido com a consideração.
Já acordei de madrugada com o caçula ardendo de febre e corri para o médico às pressas, sozinho. Acho importante participar, já fazia isso antes da separação. Talvez, se ainda estivesse casado, desse menor valor a tudo isso. Quem sabe até delegasse mais tarefas à minha ex-mulher. Mas, no meu caso, conquistei o direito de conviver com meus filhos. Até hoje nunca apresentei uma namorada aos meus filhos. Eles até cobram. Mas já casei duas vezes. Agora vou esperar o coração apitar. Aí, sim, meus filhos vão conhecê-la.
A Mãe deles sabe que sou um pai competente. Somos maduros para entender que uma criança precisa de pai e de mãe, nenhum substitui o outro. Só divergimos em relação às paqueras da Juliana. Sou muito ciumento. Tivemos poucos problemas com as finanças, pois ela é independente. Não pago pensão alimentícia, mas dividimos os gastos fixos das crianças: escola, plano de saúde, transporte escolar, ortodontista., etc. Dizem que sou um bom pai – e eu concordo. No clube, no camping e até no bar da esquina, sou conhecido por ser um pai sozinho. Não somos uma família perfeita, há brigas como nas outras. Mas meus filhos me amam e me respeitam. Sou pai e amigo. Não queria virar mais um daqueles pais separados que encontro nos shoppings aos domingos, passeando com as crianças como fantoches, porque não conhecem os próprios filhos. Eu, que fui abandonado pelo meu pai quando tinha 1 ano, sempre soube a falta que isso faz na vida de alguém”.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Folha on-line - Ex-marido pede guarda comparilhada

23/10/2003 - 07h49
Ex-maridos reivindicam guarda compartilhada ANA PAULA DE OLIVEIRAda Folha de S.PauloOs efeitos da liberação feminina, iniciada no século passado, parecem não ter fim. O homem, de quem a mulher moderna tem solicitado a participação mais ativa na educação e na vida dos filhos, quando se separa da mulher, não quer saber de assumir o antigo papel do pai de fim de semana --ou "pai periférico", como se autodenominam os militantes de um movimento de pais que exige a participação igualitária na educação dos filhos. A pressão deles já resultou em três projetos de lei que tramitam no Congresso para incluir no Código Civil o conceito batizado de guarda compartilhada. Esses pais integram associações como Movimento Guarda Compartilhada Já!, Apase (Associação de Pais e Mães Separados), Associação Pais para Sempre, Pai Legal e Participais (Associação pela Participação de Pais e Mães Separados na Vida de Seus Filhos). "O que temos em comum é a busca pela igualdade parental. Somos vistos como pais mal resolvidos e tachados de loucos por querermos conviver constantemente com nossos filhos", explica Rodrigo Dias, presidente da Pais para Sempre. "Infelizmente, muitas mulheres ainda acham que o filho é delas e confundem guarda com posse, chegando a pedir proibição total de visitas para ter um poder de barganha diante do tribunal", desabafa Alfredo Oton de Lima, presidente da Participais. Para Dias, a guarda compartilhada é a melhor solução para banir o estereótipo do pai frio e distante. "Se, de um lado, a mãe se afastou, de outro, o pai se aproximou. Quando começou a cair o machismo, a figura do pai que só sustenta foi desfeita", diz. O dia-a-dia compartilhado Cabe a ambos a responsabilidade sobre as atividades diárias do filho, que passa a ter duas casas. O tempo de estada em cada uma é definido pelo ex-casal. "Pode ser semana sim, semana não; 15 dias com um, o restante com o outro; três dias da semana com o pai, quatro com a mãe. Não existe nada previamente estipulado", diz Waldyr Grisard Filho, advogado de família e autor do livro "Guarda Compartilhada: um Novo Modelo de Responsabilidade Social" (ed. Revista dos Tribunais).De pai ausente na época em que era casado, hoje o ex-marido da procuradora Deirdre de Aquino Neiva divide com ela a criação da filha Dara, 4. Para facilitar a convivência, eles até são vizinhos no mesmo condomínio.Logo após a separação, Neiva procurou ajuda na Participais, onde conheceu o analista de sistemas Kleber Schwartz Cruz, que segue o regime compartilhado da filha e com quem ela acabou se casando. "Também resolvi aderir ao compartilhado. Revezamos as festas de fim de ano, o Carnaval e os feriados." A logística, garante ela, não é complicada porque a relação com os respectivos ex-companheiros é boa.O advogado Robinson Neves Filho, 40, mora com os dois filhos a metade da semana e ainda os vê todos os dias. "Quando não estão comigo, passo na escola e os levo até a casa da mãe, que faz o mesmo."A guarda compartilhada é adotada fora do Brasil há mais de 30 anos por países como Suécia, França, Inglaterra e Japão. Nos Estados Unidos, cabe a cada Estado optar ou não pelo regime. No Canadá, a guarda única só é concedida se comprovado que o ex-companheiro não tem condição de sustentar a criança. Ainda assim, há resistência de progenitores, que se organizam em ONGs como uma das pioneiras, a Children's Rights Council (EUA)."Estamos vivendo um momento delicado, uma transição do mundo moderno para o pós-moderno, em que as pessoas estão tentando romper os preconceitos", diz a psicóloga e colunista do Equilíbrio Rosely Sayão. "Para a sociedade, uma mãe que não tem a guarda do filho não é considerada boa mulher, daí a resistência em dar a guarda ao pai. Por outro lado, existe o estereótipo de que o homem não sabe cuidar tão bem do filho como a mãe", diz ela.Os números do IBGE confirmam mudanças de comportamento do brasileiro. Em 1996, 338 casais separados criavam os filhos em conjunto. Em 2001, esse número foi cinco vezes maior, pulou para 1.757 casais.Segundo Carlos Roberto Bonato, presidente nacional da Apase, o Código Civil não prevê o conceito da guarda compartilhada, mas diz que o poder familiar deve ser exercido por ambos os genitores. "Ou seja, não tem o nome, mas tem a descrição."O administrador de empresas J.D.C. divide com as duas ex-mulheres a educação dos dois filhos. Ele estreou a prática há 18 anos. "Não tem cabimento ver meus filhos apenas nos dias em que o juiz estipula. E se meu filho quiser sair comigo fora da data marcada? O que vou dizer a ele? "Hoje não é meu dia de visita'?"A noção diferenciada que a criança tem do tempo pode provocar danos à sua relação com o pai, que é obrigado a vê-la apenas periodicamente. "Para o adulto, uma semana passa rapidamente, já para a criança é como se fosse um mês. Se a visita for esporádica, o filho pode elaborar um sentimento de perda e abandono. Logo vai perder o interesse pelo genitor afastado por não ter mais intimidade", diz o psicólogo de família Evandro Luiz Silva, da Apase.No Reino Unido, segundo a Divisão de Família, 40% dos pais que não moram com os filhos perdem totalmente o contato com suas crianças após dois anos de separação. Essa conduta leva o nome de ciclo de afastamento e costuma ocorrer quando os cônjuges vivem em conflito. "Aquele que tem a guarda arma situações constrangedoras na frente da criança. Para poupar o filho, o pai ou a mãe passa a evitar as visitas. É cíclico", diz Leila Torraca, psicóloga jurídica e professora da UERJ.O que aparentemente pode ser visto como um complicador para a vida da criança, ter mais de uma casa e referências diversas, só faz bem, segundo especialistas. "A criança tem condição de usufruir de dois espaços, duas regras, dois mundos ao mesmo tempo, pois ela é adaptável", diz Regina Célia Gorodscy, professora de psicologia da PUC. "Não existe ponto negativo desde que o ritmo seja mantido e exista afinidade entre os pais. Isso só enriquece a criança, pois, em vez de enfocar a perda, ela observa o ganho, isso é uma estratégia de vida", diz a psicóloga especializada em crianças Angelina França. Mas ela pondera que crianças com menos de três anos não deveriam participar do regime compartilhado, pois ainda são muito ligadas à figura materna e incapazes de estruturar seus sentimentos em relação à novidade e de expô-los aos pais."

terça-feira, 13 de maio de 2008

Pensadores do período Moderno

Pensadores do período Moderno

Nicolau Maquiavel (1469-1527) – Em O príncipe, pregou a criação de um Estado unificado forte e centralizado, liberto da tutela da Igreja. Esses princípios correspondiam à grande aspiração da burguesia no século XVI.
Erasmo de Rotterdam (1466-1536) – foi o grande vulto do renascimento literário e filosófico dos Países Baixos. É considerado o “príncipe dos Humanistas”. Procurou conciliar o racionalismo renascentista com o cristianismo. Propunha que a Igreja Católica se auto-reformasse, superando os vícios que apresentava naquele século, realizou críticas devastadoras ao comportamento do clero de sua época. Sua obra mais representativa é Elogio da loucura.
Thomas More ou Morus (1478-1535) – humanista; sua obra mais conhecida é Utopia, palavra grega que significa “em nenhum lugar”, na qual descreve uma sociedade ideal. Para escreve-la, inspirou-se no relato de Américo Vespúcio sobre a América.
Nicolau Copérnico (1473-1543) – derrubou a teoria geocêntrica (a Terra como centro do Universo), substituindo pelo heliocentrismo, afirmando que os planetas giram em torno do Sol.
Johannes Kepler (1571-1630) – demonstrou a órbita elíptica das estrelas, e não circular, como pensava Copérnico.
Galileu Galiliei (1564-1642) – considerado o fundador da física moderna, inventou as leis do movimento dos corpos. Com um telescópio por ele mesmo construído, observou o céu e chegou a conclusões semelhantes as de Copérmico.
Jean Bodin (1530-1596) – desenvolveu a doutrina da soberania do Estado: “o poder supremo sobre os cidadãos e súditos, sem restrições determinada pela lei.” A autoridade do rei era concedida por Deus, cabendo aos súditos tão-somente a obediência passiva.
Thomas Hobbes (1588-1679) – em seu livro Leviatã afirmava que, no estado de natureza, imperava originalmente “a guerra de todos contra todos”; que, para pôr fim a essa situação de violência e anarquia, os homens firmaram um pacto (o “contrato social”) renunciando à liberdade em troca da segurança oferecida pelo Estado, cuja soberania sobre os súditos tornou-se absoluta. O rei era a expressão do Estado e o detentor da soberania. Sua autoridade tinha origem não em uma escolha divina e sim nos poderes absolutos que o povo lhe conferiu.
Francis Bacon (1561-1626) – filósofo inglês, desenvolveu o método experimental, no qual enfatizava a importância da observação e da experimentação para o desenvolvimento do conhecimento. Seus estudos se aplicavam às ciências naturais, e os princípios defendidos por ele foram reunidos no livro Novum organum, sua principal obra.
René Descartes (1596-1650) – é considerado o fundador da filosofia moderna. Em seu livro Discurso sobre o método (1637) lançou os fundamentos do moderno racionalismo. A razão seria o único caminho para o conhecimento, excluindo todo conhecimento baseado na autoridade e na tradição (método dedutivo [matemático])
John Locke (1632-1704) – filósofo inglês, é considerado o pai do liberalismo político. Propunha, em substituição ao absolutismo, uma relação “contratual” entre governantes e governados, sendo que as bases desse relacionamento deveriam ser estabelecidas por um conjunto de leis escritas, a constituição. Todo homem, afirmava, possui alguns direitos naturais: liberdade, propriedade privada e resistência contra governos tirânicos. A maior contribuição de Locke para a revolução intelectual foi a sua teoria do conhecimento em que rejeitou a doutrina das idéias inatas, defendida por Descartes. Teoria da tabula rasa.
Denis Diderot e Jean D’Alembert - os principais diretores e incentivadores da Enciclopédia, o mais importante veículo de difusão das idéias iluministas na França, e pretendia, em uma obra gigantesca, reunir todos os conhecimentos filosóficos e científicos da época. Como seus companheiros, eram racionalistas, defendiam o liberalismo político, mostravam-se teístas (acreditavam na existência de Deus), mas difundiam um violento anticlericalismo. Atribui-se a Diderot a frase: “Os homens só serão livres quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre.” D’Alembert, ao contrário de seus colegas, considerava que as novas doutrinas deveriam ser divulgadas entre o povo mais humilde.
Montesquieu (1689-1755) – nobre de origem. Sua principal obra é O espírito das leis. Nela se desenvolvia a teoria da separação dos poderes em executivo, legislativo e judiciário; onde cada um dos poderes deveria agir de forma a limitar a força dos outros dois, estabelecendo-se um relacionamento equilibrado e harmônico.
J. J. Rousseau (1712-1778) – é, em certo sentido, difícil de ser enquadrado entre os filósofos iluministas. Naturalista, criticava aqueles que elevavam a razão à categoria de uma verdadeira deusa. Representou o pensamento das camadas populares da época. Exigia uma República e afirmava que a fonte do poder era o próprio povo. Em seu livro Da origem da desigualdade entre os homens apontava que a origem da desigualdade estava diretamente ligada a origem da propriedade privada e da sociedade civil. A principal obra de Rousseau foi O contrato social, onde advogava que a sociedade e o Estado nascem segundo convênio entre as diversas pessoas, em benefício de seus interesses comuns. O poder, ou soberania, é o próprio povo. Rousseau assumia, desta forma, o papel de crítico da ordem burguesa, antes mesmo que ela se estruturasse definitivamente na França.

terça-feira, 4 de março de 2008

Roma e a educação

Civilização arcaica de Roma → uma cultura fortemente tradicionalista, intercâmbio de mercadorias agrícolas, constituição de latifúndios, um estilo de vida frugal, uma religiosidade ligada à terra, às estações do ano, à produção agrícola.
Educação na Roma arcaica → caráter prático, familiar e civil, destinado a formar em particular o civis romanus e consciência do direito como fundamento da própria “romanidade”.
Mulher romana → mater famílias; reconhecida como sujeito educativo.
Roma, após a conquista da Grécia (a última cidade conquistada foi Alexandria, com o Egito, em 30 a. C.), aproxima-se cada vez mais dos grandes modelos da pedagogia helenista, racionalizando-se, libertando-se do vínculo com o “costume” romano arcaico e republicano Paidéia → formação humana pela cultura, que reproduz uma expansão e uma sofisticação, bem como uma universalização das características próprias do homem.
sujeito humano ≠ cidadão
A pedagogia romana não é original, tomando amplamente temas e aspectos da cultura greco-helenística, mas introduz, uma forte consciência prática, uma perspectiva explicitamente formativa e individual que as tornam novas em substância – em relação ao universalismo mais típico da cultura helenística em geral – e até próximo, por alguns aspectos, da sensibilidade e dos problemas modernos.
A cultura helenística ultrapassou os modelos mais estreitos da Roma arcaica e produziu figuras de humanitas cosmopolitas e universais, por um lado, e mais individuais, por outro, fazendo retroceder o éthos como horizonte educativo, pelo menos para as classes cultas e dirigentes, e introduzindo uma nova idéia de formação.

A educação na Grécia

Grécia → construiu, por intercâmbio comerciais e culturais, uma profunda unidade espiritual, que deu vida a uma “civilização comum”.
“Programa educativo” dos gregos da aristocracia:
Aspecto físico-esportivo (educação heróica) → os adolescentes aristocráticos são treinados a combater através de competições e jogos.
Aspecto cortês-oratório-musical → exercício com a lira, dança e canto.
Práticas religiosas → a leitura dos signos, os ritos do sacrifício, o culto dos deuses e dos heróis.

Afirmação da pólis → uma cidade-Estado com forte unidade espiritual (religiosa e mitopoiética) que organiza um território, mas que sobretudo é aberto para o exterior (comércio, emigração, colonização) e administrado por regime ora monárquico, ora oligárquico, ora democrático, ora tirânico, mas no qual o poder é regulado por meio da ação de assembléias e de cargos eletivos.
Pólis → um Estado que se autogoverna.
Pólis → uma comunidade de vida espiritual que se estabelece pelas leis e os rituais.
Função educativa dos jogos agonísticos e da atividade teatral (festividades religiosas e momentos eminentemente comunitário) no âmbito da pólis.
Pólis = uma “comunidade pedagógica”.

O òikos (espaço familiar) é o domínio das mulheres: o que acontece nele está sob o seu controle, mas nele é a lei masculina que reina e que sanciona por último a atividade.

Esparta → modelo de Estado totalitário
X
Atenas → modelo de Estado democrático

sofistas → representantes exemplar do período do “iluminismo grego” (século V-IV a. C.)
└→ mestres de retórica e de sophia (de sapiência técnica, ligada a técnica do discurso), que ensinavam mediante pagamento, dedicando-se aos grupos sociais emergentes e iniciando-os na thechne da oratória, por meio de discursos exemplares e argumentações erísticas (que punham em dificuldade o adversário).

Paidéia:
A formação de uma “humanidade superior” nutrida de cultura e de civilização, que atribui ao homem sobretudo uma identidade cultural e histórica.
Passagem da educação para a pedagogia, de uma dimensão pragmática da educação, para uma dimensão teórica, que se delineia segundo as características universais e necessárias da filosofia.
Nasce a pedagogia como saber autônomo, sistemático, rigoroso.
Nasce o pensamento da educação como episteme, e não mais como éthos e como práxis apenas.

Sócrates (470-399 a. C.) (71 anos) → seu método educativo consiste em favorecer o diálogo, que abre para a dialética, e a sua radicalização, em solicitar um aprofundamento cada vez maior dos conceitos para chegar a uma formulação mais universal e mais crítica; desse modo se realiza o “trazer para fora” da personalidade de cada indivíduo que tem como objetivo o “conhece-te a ti mesmo” e a sua realização segundo o principio da liberdade e da universalidade.
Platão (427-347 a. C.) (80 anos) → fixa dois tipos de paidéia, uma – mais socrática -, ligada à formação da alma individual, outra – mais política -, ligada aos papeis social individual, distintos quanto às qualidades intrínsecas da sua natureza que os destinam a uma ou outra classe social ou política.
Isócrates (436-338 a. C.) 998 anos) → de inspiração retórico-oratória e gramático-literário; fixa-se a organização do discurso em quatro partes (proêmio, narração, demonstração, parolação). Sua paidéia tem o centro na palavra, colocando o sujeito em posição de autonomia, mas sempre como interlocutor da cidade, na qual e pela qual se desenvolve uma subjetividade mais rica de humanidade.
Aristóteles (384-322 a. C.) (62 anos) → a pedagogia é reconfirmada, seguindo Platão, como disciplina formadora da alma e como ação civil, ligada à cidade.

A sociologia de Durkheim

Émile Durkheim (1858-1917)

Primeiro objetivo da sociologia → afastar-se do senso comum, para que não se torne apenas uma simples paráfrase dos preconceitos tradicionais, nos mostrando coisas diferentes de como as vêem o vulgo.
Fato social = coisa; cuja natureza, ainda que dócil e maleável, não é modificável à vontade.
A consciência, tanto individual quanto social, não é substancial, mas apenas um conjunto mais ou menos sistematizado de fenômenos sui generis.
A vida social é inteiramente feita de representações.
Fenômeno social → exteriores às consciência individuais, não sendo possível compreendê-lo pelas partes, mas pelo todo (o coletivo).
Representação coletiva → traduz o modo como o grupo se pensa em suas relações com os objetos que o afetam.
Fato social → maneiras de agir, de pensar e de sentir que existem fora das consciências individuais. Os valores morais, deveres, sistemas ou práticas, ainda que estejam de acordo com os sentimentos próprios de cada indivíduo, não deixam de ser objetivos; não foram obra individual, mas foram recebidos pela educação, existindo independente e antes dos indivíduos. São exteriores, como também dotados de uma força imperativa e coercitiva em virtude da qual se impõem a ele, quer queira, quer não.
Maneiras de agir, de pensar e de sentir consistem em representações e em ações diferentes dos fenômenos orgânicos e diferentes dos fenômenos psíquico, os quais sô têm existência na consciência individual e através dela.

Da divisão do trabalho social, As formas elementares da vida religiosa e em O suicídio → um mesmo esquema de desenvolvimento do seu pensamento:
1) definição do fenômeno;
2) refutação das interpretações anteriores
3) explicação propriamente sociológica do fenômeno considerado.
A sociologia para Durkheim é o estudo dos fatos essencialmente social, e a explicação desses fatos deve se dar de maneira sociológica.
Concepção da sociologia baseada em uma teoria do fato social.
Objetivo → demonstrar que pode e deve existir uma sociologia objetiva e cientifica, conforme o modelo das outras ciências, tendo por objeto o fato social.
Condições necessárias → 1) que seu objeto seja específico, distinto do objeto das outras ciências; 2) que possa ser observado e explicado de modo semelhante ao que acontece com os fatos observados e explicados pelas outras ciências.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

FOUCAULT


Principais influências
Nitzsche → genealogia
Estruturalismo (de Levi-Strauss) → uma forma de sair da influência enrijecida, assumindo elementos de cientificidade. O estruturalismo dá importância a lingüística, enfatiza o caráter relacional das totalidades a descentralidade do sujeito, se preocupava com a escrita. Este eram ponto-de-partidapara Foucault.
Lacan
Fenomenologia
OBRAS
História da loucura (1961) → saberes e práticas tradicionais constrói a idéia de loucura como atemporal. Contudo, a loucura é uma definição recente. Historicamente não existiam práticas que definiam a loucura em outros momentos da história.
Para se dar conta das transformações discursivas, deve-se dar conta das transformações externas (matérias), as condições econômicas, políticas, etc.
em História da Loucura, um dos problemas que se colocava era o do estatuto político das ciências (medicina e psicanálise, por ex.) e as funções ideológicas que podia veicular: saber e poder.
As palavras e as coisas (1966) → uma história das ciências humanas, das práticas e dos saberes. O objetivo é de aprofundar e generalizar inter-relações conceituais capazes de situar os saberes constitutivos das ciências humanas, sem pretender as formações discursivas com as práticas sociais. A tese central é de que só pode haver ciência humana – psicologia, sociologia, antropologia – à partir do momento em que o aparecimento, no século XIX, de ciências empíricas – biologia, economia, filologia – e das filosofias modernas, que têm como marco inicial o pensamento de Kant, tematizaram o homem como objeto e como sujeito de conhecimento, abrindo a possibilidade de um estudo do homem como representação.
Primeira tentativa de uma análise arqueológica → consistia em descrever a constituição das ciências humanas a partir de uma inter-relação de saberes, do estabelecimento de uma rede conceitual que lhes cria o espaço de existência, deixando propositalmente de lado as relações entre os saberes e as estruturas econômicas e políticas.
Arqueologia do saber (1969) → é um livro especificamente metodológico. Reflete sobre as procedentes análises históricas com o objetivo não só de explicitar ou sistematizar, mas sobretudo de classificar, ou aperfeiçoar os princípios formulados a partir das próprias exigências das pesquisas. Em Arqueologia do saber procura estabelecer a constituição dos saberes privilegiando as inter-relações discursivas e sua articulação com as instituições, respondendo a como os saberes apareciam e se transformavam. Dentro da dimensão arqueologia que se desenvolve sua abordagem genealógica, que será melhor explicitado em Microfísica do poder.
Maio de 1968 representará uma nova fase para sua análise (e suas práticas), rompendo com fase mais filosóficas e se inserindo ma militância política. Os seus trabalhos deixam de analisar apenas as ordens discursivas, mas também as práticas políticas.
Vigiar e punir (1975) e História da sexualidade (?) → são as obras que marcaram esta faze, apresentando um principio metodológico e não uma teoria do poder.
Microfísica do poder → coletânea de artigos, apresenta uma maior sistematização deste princípio metodológico.
Não há em Foucault uma teoria geral do poder; suas análise não consideram o poder como uma realidade que possua uma natureza, uma essência que ele procuraria por suas características universais. Não existe algo unitário e global chamado poder, mas unicamente formas díspares, heterogêneas, em constante transformação. O poder é uma prática social e, como tal, é constituída historicamente. O poder não existe, existem sim práticas ou relações de poder. E o Estado só existe enquanto prática de centralização do poder.
Genealogia do poder → é definido por Foulcalt em termos nietzcheano como a análise do porquê dos saberes, que pretende explicar sua existência e suas transformações situando-o como peça de relações de poder ou incluindo-o em um dispositivo político. O seu objetivo não é principalmente descrever as compatibilidades e incompatibilidade entre saberes a partir da configuração de suas positividades; o que pretende é, em última análise, explicar o aparecimento de saberes a partir de condições de possibilidades externas aos próprios saberes, ou melhor, que imanentes a eles – pois não se trata de considerá-los como efeito ou resultado – os situam como elementos de um dispositivo de natureza essencialmente estratégico.
O que faz a genealogia é considerar o saber – compreendido como materialidade, como prática, com acontecimento – como peça de um dispositivo político que, enquanto dispositivo, se articula com a estrutura econômica. Ou, mais especificamente, a questão tem sido a de como se formaram domínios de saberes – que foram chamados de ciências humanas – a partir de práticas políticas disciplinares.
Um outro ponto importante em Foucault é o de não considerar pertinente a distinção entre ciência e ideologia. Não há saber neutro; todo saber é político.
Foucault define a genealogia como uma forma de história que dê conta da constituição dos saberes, dos discursos, dos domínios de objetos, etc., ser ter que se referir a um sujeito, seja ele transcendente com relação ao campo de acontecimentos, seja perseguindo sua identidade vazia ao longo da história. (Microfísica do Poder, p. 07)
Ao tratar da questão da ideologia, afirma:
“[...] creio que o problema não é de se fazer a partilha entre o que num discurso revela da cientificidade e da verdade e o que revela de outra coisa; mas de ver historicamente como se produzem efeitos de verdade no interior de discursos que não são em si nem verdadeiros nem falsos. [...]” (idem)

IDÉIAS

Genealogia → tecnologia/dispositivo de poder.
Subjetividade → como nos tornamos sujeitos sociais de práticas de poder e de saber e como podemos encontrar outros caminhos de subjetividade.
Poder = situação social, relação de assimetria social complexa.
Nietzsche → conhecimento é uma violência feita às coisas.
História do pensamento → como nós chegamos a determinada formas de saber/poder e não partir de um anacronismo de partir do presente, das formas existentes do presente, para se explicar o passado. A racionalidade da história está na luta e nas batalhas (dos saberes, da subjetividade, dos interesses, etc.).

ABORDAGEM GENEALÓGICA

Consiste na análise de “formas de problematização”, a partir das “práticas e suas modificações”.
Formas de problematização → o modo através do qual determinado tema, determinado objetivo, parecem se impor num momento como aquilo que há para ser pensado, debatido e decidido.
Práticas e suas modificações → todos os jogos de poder que “objetivam” o fenômeno e o propõem ou impõem como alvo de reflexão e de ação aparentemente obrigatório e quase natural.
A “arqueologia do saber” pretende investigar um determinado campo discursivo tomado em sua imanência; a “genealogia”, por sua vez, deve completar essa investigação com uma análise das relações de poder que constituem esse campo e que, ao mesmo tempo, o impõem como aquilo que deve ser pensado.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Sociologia da cultura de Boudieu

A história da vida intelectual e artística das sociedades europeias revela-se através da história das transformações da função do sistema de produção de bens simbólicos e da sua própria estruturação, correlacionado com a autonomização progressiva do sistema de produção, circulação e consumo de bens simbólicos, definindo-se em oposição aos campos econômicos, políticos e religiosos, e me todas as instâncias com pretensões a legislar na esfera cultural em nome de um poder ou de uma autoridade que não seja propriamente cultural (diferentes grupos de intelectuais e artistas).
“(...) o processo de autonomização da produção intelectual e artística é correlata à constituição de uma categoria socialmente distinta de artista ou de intelectuais profissionais, cada vez mais inclinados a levar em conta exclusivamente as regras firmadas pela tradição propriamente intelectual ou artística herdade de seus predecessores, e que lhes fornece um ponto de partida ou um ponto de ruptura, e cada vez mais propensos a libertar sua produção de toda e qualquer dependência social, seja das censuras morais e programas estéticos de uma Igreja empenhada em proselitismo, seja dos controles acadêmicos e das encomendas de um poder político propenso a tomar a arte como instrumento de propaganda. (...)” (Bourdieu, 1987:101)
O processo de constituição da arte enquanto tal esta diretamente relacionado à transformação da relação que os artistas mantêm com os não-artistas e, por esta via, com os demais artistas. O resultado deste processo é a constituição de um campo artístico relativamente autônomo e na constante elaboração de uma nova definição da função do artista e de sua arte. Afirma-se a legitimidade propriamente artística do direito dos artistas de legislar com exclusividade em seu próprio campo (campo da forma e do estilo), independente das demandas sociais subordinadas a interesses religiosos ou políticos.
Um campo, e aqui nos interessa especialmente o campo artístico, constitui-se em um espaço de posições cujas propriedades dependem das posições nos espaços, independente da situação dos ocupantes nesse espaço. É um espaço de luta e concorrência, onde o que se visa é o monopólio legitimo de determinados bens com interesses específicos. O que se está em disputa é o reconhecimento do valor deste bem.
Para um campo existir é necessário que haja um certo número de pessoas dispostas “a jogar o jogo (jogadores)”, de acordo com determinadas regras. Para isto, as pessoas devem ser formadas para reconhecer a legitimidade de quem detém o monopólio. Essas pessoas devem ser socializadas, que lhes inculque o habitus.
Por isto a estrutura do campo é um estado de relações de força entre os agentes ou instituições engajados na luta pela distribuição de capital específico. Nas lutas que se desenvolvem nos campos há duas estratégias, uma estratégia de conservação por parte de quem detém o monopólio (ortodoxia) e uma estratégia de subversão de quem tem pouco ou nenhum monopólio (heresias).
Todos tem o interesse na manutenção do campo como tal, produzindo a crença, inculcada no momento da socialização, no objeto de disputa. Este processo é entendido como um efeito de campo: um efeito de campo ocorre quando é impossível reconhecer uma obra e seu valor sem reconhecer a história do campo de produção da obra.
Desta forma a autonomização dos campos artísticos levou a um processo de “libertação” da produção e dos produtos artístico da dependência social de interesses religiosos ou políticos, afirmando a legitimidade propriamente artística, tornando a arte cada vez mais presa a crença no valor propriamente estético. O que levou à necessidade de se formar historiadores do campo de produção artística que tornam possível o reconhecimento das regras que envolvem o campo artístico e as disposições estéticas que dão a competência para reconhecer, distinguir e avaliar uma obra de arte.
A produção da disposição estética consiste em produzir a competência para reconhecer, distinguir e avaliar de um ponto de vista estético. As disposições são atitudes estruturadas (estar pronto para...) das normas convencionais, que se da em relação com a obra e pela aptidão do observador em conformar-se à distinção do que é arte e não-arte. Deve-se observar que tal distinção é arbitrária, mas legitima como fato normativo.
As disposições estéticas são o resultado da estruturação do espaço social, que garante um estilo de vida, e da estruturação da percepção (apreciação, esquemas inscritos na linguagem ou símbolos) do mundo social, reproduzindo o estado das relações de poder simbólico (CRENÇA), legitimando a ordem social. No espaço social desenrolam lutas por classificações, na legitimação de um ponto de vista oficial, onde se afirma o poder constitutivo do poder simbólico.
As classes em disputa no espaço social manifestam signos distintivos, que definem as diferenças, e signos de distinção que definem o nível de “cultivamento”; em outras palavras, exprimem que há pessoas que possuem maior poder que outras. Bourdieu define o sistema social como um sistema simbólico baseado na diferença e no afastamento, formando estilos de vida e estilos de percepção.
O processo de luta política (em seu sentido amplo) busca impor princípios de visão, o ponto de vista oficial , e de divisão, impor classificações.
O ponto de vista oficial ou o discurso oficial apresenta três funções:
1º) fazer diagnósticos: diz o que é..., o que as coisas são realmente...;
2º) diz o que as pessoas devem fazer e
3º) diz o que as pessoas realmente fizeram, impõe um ponto de vista que de ser instituído com legitimo.
O poder simbólico é garantido pela posse de um capital simbólico, de um capital econômico ou cultural reconhecidos garantindo autonomia social (crédito) para se fazer coisas com palavras.
Nos campos intelectuais e artísticos estão em constante luta as classes dos que detém o monopólio legitimo de classificar a obra artística (os ortodoxos) e a classe dos que possuem pouco ou nenhum poder de classificação (os heréticos). Disputam-se também o monopólio de determinados bens de distinção e o reconhecimento do valor destes bens.
Todos tem o interesse na manutenção do campo como tal, produzindo a crença no objeto em disputa, que só é disputado porque alguém determinou que o objeto vale a pena ser disputado.
O que se está em jogo é o reconhecimento da autoridade artística, a reprodução de seu valor enquanto bem de distinção e a consagração, ser imortalizado pela história dos campos culturais. As lutas por classificações são inevitáveis devido a concorrência entre os diversos atores com o objetivo de terem o reconhecimento de sua autoridade enquanto artista e de ser capaz de produzir os signos distintivos e de distinção. Da mesma forma são indispensáveis para o desenvolvimento dos campos artísticos e intelectuais por tornar possível o surgimento de novos estilos e técnicas. O que em um momento era heresia, torna-se ortodoxia é reproduzido e consagrado. É por estes valores que se disputa e se mantém os campos artísticos e intelectuais como tal. Disputa-se honrarias e consagração e quem está no inicio de sua formação busca, dentro das lutas por classificação, inverter as regras para ser incorporado entre os que possuem o poder de distição.
É através de Bourdieu que podemos começar a entender a constituição dos campos artísticos. Foi Bourdieu quem melhor formulou as principais questões para o estudo dos mundos artísticos.
Para Bourdieu a produção das disposições estéticas (gosto) consiste em produzir a competência para reconhecer, distinguir e avaliar de um ponto de vista estético. Estas disposições são atitudes estruturadas, ou seja, as atitudes que tornam os indivíduos prontos para distinguir (classificar, por em classe) e avaliar (julgar, por em juízo) foram introduzidas no indivíduo passivo, foram estruturadas. Foram estruturadas as normas convencionais, ou a relação do observador com a obra e a sua aptidão em conformar-se as normas.
Devemos ter claro que a distinção entre i que é arte e o que é não-arte é definido arbitrariamente (desconhecido como tal), mas legitimado como fato normativo. Foi o que Bourdieu chamou de principíum divisionis.
Esta legitimação se dá, como afirma Bourdieu, dentro da estruturação do espaço social e da estruturação da percepção do mundo social. As percepções são esquemas inscritos na linguagem (símbolos) que definem qualidades para apreciar o mundo social, que reproduz os estados das relações de poder simbólico. Este poder simbólico só pode existir através da crença em que se reconhece a posse de um capital simbólico, capital econômico ou cultural que garanta autoridade social a um indivíduo ou um grupo de “fazerem coisas com palavras”.
Este poder simbólico se constitui através de lutas simbólicas, que têm por objetivo legitimar a ordem social, definindo um ponto de vista oficial. As lutas simbólicas apresentam duas características, uma objetiva, o de ação de representação; uma subjetiva, de mudar as maneiras de como as pessoas vêem. As lutas simbólicas são em realidade lutas por classificações que fazem manifestar signos distintivos que definem as diferenças e signos de distinção que definem o nível de cultivamento, ou seja, exprimem que há pessoas com maior poder que outras. O sistema social é entendido aqui como sistema simbólico baseado na diferença e no afastamento.
As lutas simbólicas são, no sentido amplo, processos de lutas políticas para se impor um principio de visão de um ponto de vista oficial e de divisão em que se impõe um tipo de classificação. O ponto de vista oficial ou o discurso oficial apresenta três funções:
1.º) de fazer diagnóstico: diz o que é e o que as coisas realmente são;
2.º)diz o que as pessoas devem fazer e
3.º)diz o que as pessoas realmente fizeram: impõe um ponto de vista que é instituído como legitimo.
Assim podemos entender melhor a noção de campos em Bourdieu. Nos preocuparemos com os campos artísticos, supondo que o que vale para o campo especifico das artes vale também para os vários outros campos.
Para Bourdieu os campos são espaços estruturados de posições/pontos cuja as propriedades dependem das posições nos espaços e em que independe da situação dos ocupantes neste espaço. É um espaço de luta e concorrência, visando o monopólio legitimo de determinados bens (objeto de disputa) de interesses específicos Disputam-se o reconhecimento destes interesses específicos.
É necessário que haja um certo número de pessoas dispostas a jogar o jogo de acordo com determinadas regras. Para isto as pessoas devem ser formadas para reconhecer a legitimidade destas regras através da socialização (inculcação do habitus).
A estruturação do campo é um estado de relações de força entre os agentes ou instituições engajadas na luta pela distribuição de capital específico. Nesta luta os agentes optam por duas estratégias de acordo com as posições no campo: quem detém o monopólio dos bens dos distinção optam por uma estratégia de conservação (ortodoxia) e os que possuem pouco ou nenhum monopólio, optam por uma estratégia de subversão do (heresia). O importante é que todos tem o interesse na manutenção do campo como tal, produzindo a crença, inculcada no momento de socialização, nos objetos de disputa, que só estão em disputa porque alguém disse que estes objetos valem a pena serem disputados.
Somente assim poderemos entender o processo de autonomização dos campos artísticos e a formação de um “efeito de campo”: há um efeito de campo quando é impossível reconhecer uma obra e sue valor sem reconhecer a história do campo de produção da obra.
Agora entenderemos melhor os parágrafos extraídos da obra de Nietzche:
“Quando se trata do conhecimento das verdades, o artista tem uma moralidade mais fraca do que o pensador; ele não quer de modo algum deixar que lhe tomem os símbolos brilhantes e profundos da vida e se defende de todos os métodos, de todos os resultados nus e crus. Aparentemente, ele luta para elevar a dignidade e o valor do homem; na realidade, não quer renunciar aos postulados que asseguram os melhores efeitos à sua arte, como o fantástico, os mitos, o vaporoso, os extremos, o sentido do símbolo, a exaltação da personalidade, a crença em não sei qual milagre do gênio; ele dá mais importância, portanto, à permanência do seu gênero de atividade criadora do que ao devotamento cientifico à verdade sob todas as suas formas, qualquer que seja a aparência simples que elas possam assumir.”
“Os artistas têm interesse em que se creia em suas intuições súbitas, em suas pretensas inspirações; como se a idéia da obra de arte, do poema, o pensamento fundamental de uma filosofia caíssem do céu como um raio da graça. Na verdade, a imaginação do bom artista, ou pensador, não pára de produzir o bom, o medíocre e o ruim, mas seu juízo, extremamente aguçado e exercido, rejeita, escolhe, combina; vê-se assim, hoje, pelos Cadernos de Beethoven, que ele compôs sua mais magníficas melodias pouco a pouco, tirando-se, por assim dizer, de esboços múltiplos. Já aquele que é menos severo na sua escolha e se vale com boa vontade da sua memória reprodutiva, poderá, se for preciso, tornar-se um grande improvisador, mas a improvisação artística está em nível inferior em relação à idéia escolhida seriamente e com dificuldade para uma obra. Todos os grandes homens foram grandes trabalhadores, incansáveis quando se tratava de inventar, mas também de rejeitar, de tirar, de remanejar, de arranjar.”
Becker em seu trabalho Culture: a sociological view procura localizar os motivos que levam indivíduos a tocarem juntos, os interesses dentro da ação coletiva.
Para Becker a ação coletiva possui um caráter auto-referido que é capaz de fazer pensar sobre si mesmo, onde o self se projeta no tempo com objetivos de manipular meios para se obter determinados fins (reflexividade). Os entendimentos (significações) são comuns devido uma linguagem que é dominada pelos agentes. O comportamento é mutuamente referido através das definições das situações.
Podemos aproximar os conceitos de ação em Becker e o de práticas em Bourdieu. A ação coletiva ou as práticas artísticas adquirem uma linguagem especial. O músico de Jazz deve aprender mais do que tocar Jazz, deve aprender a linguagem do mundo dos jazzistas. Um cineasta deve aprender mais que fazer e filmar um roteiro, deve aprender a “ser um cineasta” e a “falar como um cineasta”. E este aprendizado ocorre porque existe um grupo de jazzistas e um de cineastas. Para que estes mundos existam é necessário que exista a crença no valor da obra e no valor dos juízos artísticos. A crença na inspiração destacada por Nietzche é mais uma necessidade dos campos artísticos; é necessário que o leitor acredite que ela é o produto único de uma inspiração que apenas um artista pode ter.
A produção de uma obra passa por diversos estágios, o primeiro é o da idéia, se propõe fazer algo e se organizam os meios para se fazer. A Segunda parte é a execução onde somam-se o material empregado, o trabalho do artista e/ou de seus colaboradores com equipamentos (pincel, papel, instrumentos, partituras, etc.). O executor da obra deve ter recursos para a executar seus objetivos como tempo, dinheiro, pessoal ... O apoio de pessoas ligados ao fazer artístico é de extrema importância com, por exemplo, o marceneiro que executa o projeto de um cenógrafo para que um ator possa encenar uma peça escrita e dirigida por um importante dramaturgo. A ordem de valores artísticos se inverte: é o dramaturgo e diretor que tem sua honra para jogar na obra, o cenógrafo e o marceneiro são agentes secundários da obra. Porém não é possível fazer uma obra sem a participação destes agentes.
Um outro passo é o de tornar pública a obra para que o público possa aprecia-la. Uma obra artística somente pode ser considerada como tal se for vista. Para isto deve-se introduzir no público a crença no valor da atividade, onde entram as diversas formas de explicações ou interpretações da obra. Deve-se construi a história do fazer artístico, criar tradições, treinar novos membros, dar competência ao público para apreciar uma obra de arte. Deve-se inculcar o valor e as regras para se julgar uma obra.
Arte e artistas são termos relativos à honra. O campo artístico fazem crer que o artista possui capacidades especiais (talento) intransferíveis onde a obra expressa e incorpora estes poderes raros/especiais. É a leitura da obra que qualifica o autor como artista, por isto deve-se produzir a competência entre os espectadores, sejam eles outros artistas ou pessoas comuns, para se apreciar uma obra de arte e saber a história da produção desta obra.
Becker trabalha com a idéia de convenções, o que tornaria possível músicos que nunca se viram antes poderem tocar sem perderem o ritmo, ou as disposições para a cooperação em uma ação. A noção de convenções possui um paralelo com a de habitus. As convenções se transmitem através da tradição que Becker define com o processo de formação e desenvolvimento daquilo que torna a pessoa um ser iniciado em um certo campo.
A autonomia dos campos artísticos significou, por um lado, o fim das tutelas externas (religião e política) e, por outro lado, a valorização das inovações.
“Tudo que a multidão pede realmente à tragédia, é ser bastante emocionada para poder derramar uma boa quantidade de lágrimas; ao contrário, o artista que vai ver uma nova tragédia encontra seu prazer nas invenções técnicas e nos procedimentos engenhosos, mo tratamento e na distribuição do assunto, na feição nova dada a velhos motivos, a velhas idéias. Ele tem em relação à obra de arte uma posição estética, a do criador; a outra que dissemos primeiro, com seu interesse exclusivo pelo tema, é o da multidão. Quanto ao homem que está entre os dois, ele nada tem a dizer, não é multidão nem artista e não sabe o que quer: também seu prazer é vago e medíocre.”
“A passagem de um nível de estilo a um outro deve ser lenta o bastante para que não somente os artistas mas também os ouvintes e os espectadores possam acompanhar este progresso e saber exatamente o que se passa. Senão, abre-se um abismo súbito entre o artista, criando suas obras num pico isolado, e o público, doravamte incapaz de se elevar a este cume e terminando, por despeito, a descer ainda mais baixo. Porque, quando o artista não mais eleva seu público, este recai rapidamente, e sua que da é tão mais profunda quando mais alto um gêni o alçou, com a águia cujas garras soltam, para sua desgraça, a tartaruga que ela levou até as nuvens.”